Vulgarizar.

logotipo vermelho cec2012

Ao escolher o logótipo da Capital Europeia da Cultura (CEC) como símbolo (?) da “marca” Guimarães na sua vertente institucional e “comercial”, a cidade converteu-se a um “palpitante” exercício de vulgaridade que a afecta precisamente nas duas dimensões acima referidas.

No que diz respeito à dimensão institucional perdeu-se um antigo logótipo cuja leitura, alusiva ao Castelo de Guimarães, nos remetia para a dimensão simbólica da própria cidade (e do país) e ganhou-se uma nova imagem que se limita a reciclar um elemento utilizado num dos muitos eventos que marcaram a longa história da cidade.

Do ponto de vista da representação da cidade enquanto “marca” há uma escolha que deve ser feita respondendo a duas simples questões que colocarei de seguida:

1º – Guimarães quer ter uma representação que alie a sua “marca” a uma dimensão simbólica e identitária?

2º – Guimarães quer ter como “marca” um logótipo de um dos grandes eventos da sua história (CEC) que, contudo, é um acontecimento datado e, como tal, está condenado a uma perda progressiva de notoriedade?

 

Como parece óbvio, hoje as cidades, tal como as “marcas”, destacam-se pelo que as distingue. A dimensão simbólica de Guimarães no plano nacional e a representação de algo único num plano mais abrangente são, naturalmente, uma mais valia quando comparadas a um logótipo relativamente comum (como é o caso de um coração, neste caso o “coração da CEC” 2012).

Ao longo da sua história Guimarães teve diversos eventos e acontecimentos que, pelo impacto positivo que tiveram na cidade, a tornaram capaz de transpor as suas muralhas. A CEC foi sem margem para dúvidas um desses eventos. Parece natural querer capitalizar um “logo” bem conhecido em Portugal e relativamente conhecido em alguns países da Europa no sentido de, através dessa fórmula, dotar a “marca” Guimarães de mais notoriedade. Contudo o tempo encarrega-se de paulatinamente relegar para os livros de História tais acontecimentos, seus “símbolos” e personagens. E depois? Muda-se a “marca”? Parece-me que as grandes “marcas” são as que ao longo dos tempos conseguem manter os seus “símbolos”.

Pelo menos ao nível institucional a perenidade granítica do nosso Castelo parece garantir-nos uma segurança maior do que um qualquer coração que um dia deixará de bater…

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