A noite eleitoral de 25 de Maio último tem sido dissecada ao detalhe, em Portugal e por toda a Europa. Não venho aqui falar dos resultados eleitorais. Isso fica para outra altura (talvez). Mas há algumas breves notas sobre a própria campanha que queria salientar.
As duas maiores candidaturas adoptaram para esta campanha estratégias contrárias. O PS apostou tudo em colocar as questões nacionais, de Governo, no topo da sua agenda, procurando fazer destas eleições um começo para um novo ciclo governativo em Portugal, protagonizado por si. A presença do Secretário-Geral do PS na campanha foi uma constante, ofuscando até o cabeça de lista. Fez-se um número com um “pré-programa de Governo”, o momento alto da campanha socialista. Este foco na agenda nacional estava bem patente nos tempos de antena. Repare-se, a título de exemplo, neste; as questões europeias surgem apenas tangencialmente no meio minuto de Francisco Assis, enquadradas na “luta contra a austeridade” no país, numa mensagem óbvia de tentar capitalizar com o descontentamento popular.
A campanha da Aliança Portugal, ciente das dificuldades que encontraria como resultado do desgaste de três anos de governação com medidas impopulares, começou por colocar todo o enfoque na discussão europeia e o PP a tratar das “despesas da casa” da agenda nacional. Para além disso, optou por uma lógica de “regionalização” da campanha e com uma multiplicidade de agendas de visitas ao terreno, com a distribuição dos distritos do país pelos candidatos daí oriundos.

Fotografia do Observador
A certa altura dá-se uma mudança na orientação da campanha nacional (em contraste com a regional que referi), que julgo ter-se devido aos fortes e constantes ataques do PS. Aí, também a Aliança Portugal optou por simplificar a mensagem a comunicar, dando um enfoque maior à resposta aos rostos do PS. Foi aí que entrou a “campanha de vacinação contra o vírus do despesismo”, e com a redução das questões europeias a um conjunto menor de ideias e propostas.
Os dados estavam lançados. A campanha foi numa escalada, a culminar numa última semana quente, pelo menos a crer na comunicação social, sempre disposta a aproveitar qualquer gotícula de sangue e esquecendo outro sumo, de ideias e propostas que surgissem. Os eleitores reagiram, nas acções de campanha, com indiferença e desconhecimento, mas ainda assim em grande parte com simpatia.
Depois, veio a noite de 25 de Maio…
Nota: o Observador publicou duas peças, amplamente difundidas, com a visão dos bastidores dos jornalistas que acompanharam estas duas campanhas. Valem a pena. Aqui e aqui.